“Situada entre quatro montes”, como referia o Abade João da Silva nas suas “Memórias Paroquiais de 1758”, encontra-se a actual freguesia de Aguiar de Sousa, a cerca de 20 quilómetros da sede do concelho de Paredes, no distrito do Porto. O seu orago é S. Romão, embora na freguesia se realizem outras romarias, como é o caso da romaria ao Santíssimo Sacramento, a S. Sebastião, a Santa Marta, a Santa Isabel e à Senhora do Salto.
O topónimo Aguiar de Sousa deriva, no seu primeiro elemento, de “aquilare”, aludindo à abundância de águias no local; já o segundo elemento toponímico, “de Sousa”, é uma referência à “Terra de Sousa”.
Aguiar de Sousa foi, no passado, um dos mais importantes concelhos e julgados do país. Como concelho e julgado foi um dos sucessores da Terra de Sousa, que englobava uma vasta área situada entre os vales dos rios Tâmega e Ferreira, a quase totalidade do actual concelho de Paredes.
O povoamento do território a que hoje corresponde a freguesia de Aguiar de Sousa é bastante remoto, recuando até aos povos nómadas que primitivamente chegaram a esta região. Contudo, muitos dos vestígios que atestavam a sua passagem por este local não chegaram até aos nossos dias, devido à acção destruidora do tempo, salvando-se apenas algumas memórias da época pré-histórica, principalmente as que estavam relacionadas com os cultos funerários destes povos. Um dos exemplos a salientar é a mamoa de Brandião, referida nas Inquirições de 1258 como termo de demarcação na Terra de Aguiar de Sousa.
A área desta freguesia, assim como toda a região, foi conquistada aos mouros por Afonso I das Astúrias; nesta época, a região começou a ganhar uma importância defensiva significativa, começando a convergir movimentos migratórios quer das Astúrias quer do actual centro do país, o que trouxe grandes mudanças em termos de organização e exploração da terra. Com o território povoado, surgiu a necessidade de o defender, sendo para isso construídos castelos. Por volta do século X, existiu nesta região um importante castelo em Aguiar de Sousa, que tinha a responsabilidade de administrar uma vasta região. Deste castelo já não existem vestígios, havendo mesmo uma grande dificuldade em situar a sua real localização, embora tudo pareça indicar que se situava nas confluências dos rios Sousa e Douro.
A origem do concelho de Paredes está intimamente ligada ao Julgado de Aguiar de Sousa, um dos mais poderosos julgados de Entre Douro e Minho. As Inquirições de 1220 e de 1258 referem este julgado e dão importantes referências relativas aos primeiros tempos de Aguiar de Sousa como espaço político e administrativo independente. Segundo as Inquirições de 1220, a zona dominada pelos Sousas foi dividida em dois Termos: o Termo de Ferreira e o Termo de Aguiar de Sousa; mais tarde, nas Inquirições de 1258, a Coroa propõe uma nova divisão mas em dois Julgados: o Julgado de Refojos de Riba d’Ave e o Julgado de Aguiar de Sousa, estando cada um destes Julgados sob a jurisdição de um juiz que representava os interesses do Rei.
Aguiar de Sousa, sendo então um território importante no Vale do Sousa, recebeu o foral em 1269 pelo fidalgo Estevão Rodrigues, confirmado pelo rei D. João I e, a 25 de novembro de 1513, reiterado por D. Manuel I. Em 1569, a vila, edificada sobre um penhasco, ficou despovoada devido a uma grande peste.
No século XVI, estava estabelecida, há muito, na antiga aldeia de Paredes, da freguesia de Castelões de Cepeda, a cabeça do vasto concelho de Aguiar de Sousa, que só alterou a sua denominação para “Paredes”, em 1836.
Em 1821, o concelho de Aguiar de Sousa é suprimido e as freguesias que lhe pertenciam, entre as quais a de Aguiar de Sousa, anexadas a Paredes, ficando esta com aspecto de cidade sem ainda ter sequer elevação a vila. No ano de 1828, as freguesias de Aguiar de Sousa tornaram a separar-se de Paredes, para em 1834 a esta retornarem. Com nova extinção do concelho de Aguiar de Sousa é finalmente constituído o de Paredes, em 15 de dezembro de 1837, embora continuasse a usar a designação “Aguiar de Sousa”. Este concelho teve juiz ordinário, por eleição directa, até 1869, e desde esta data até 10 de junho de 1875, de nomeação régia; passando a 16 de junho do mesmo ano a cabeça de comarca (até esta data pertencia ao Julgado e Comarca de Penafiel).
Senhorialmente, Aguiar de Sousa pertenceu aos Marqueses de Fontes, passou depois aos Marqueses de Abrantes e posteriormente à Coroa.
No aspecto patrimonial, destacam-se na freguesia a Igreja Paroquial, edificada no século XVII, as capelas de S. Sebastião, de Santa Marta, da Senhora do Salto e de Santa Isabel e ainda as Alminhas disseminadas pela freguesia.
Aguiar de Sousa é uma freguesia de componente essencialmente rural, tendo começado a industrializar-se nas últimas décadas, notando-se uma grande implementação das indústrias madeireira e de panificação, além do comércio.
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